Quando um bebê chega à família, o maior desejo dos pais e dos parentes é oferecer o melhor. Queremos proteger, agradar, cuidar e, principalmente, ver aquela criança feliz e é justamente aí que algumas armadilhas aparecem.
O açúcar e os doces parecem inofensivos. Afinal, é “só um pedacinho”, “só hoje” ou “toda criança come”. Mas, principalmente nos primeiros anos de vida, evitar alimentos e bebidas com açúcar adicionado pode ser uma escolha extremamente benéfica.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que, a partir da introdução alimentar, não sejam adicionados açúcares às preparações e orienta evitar alimentos ricos em açúcar e bebidas açucaradas para crianças pequenas. A Academia Americana de Pediatria também recomenda evitar alimentos e bebidas com açúcar adicionado para menores de 2 anos.
Mas por que isso é tão importante?
Os primeiros anos são uma fase fundamental para a formação dos hábitos alimentares. É nesse período que a criança começa a conhecer sabores, texturas e diferentes alimentos. A própria AAP destaca que as preferências de sabor são construídas muito cedo.
O excesso de açúcares livres está associado a uma alimentação de menor qualidade nutricional, maior risco de ganho de peso inadequado e, principalmente, cáries dentárias. E existe outro detalhe importante: se a criança nunca experimentou determinado doce, ela não sabe o que está “perdendo”. Ela não está sentada pensando: “Por que todo mundo pode comer chocolate e eu não?”
Ela simplesmente está conhecendo o mundo através daquilo que os adultos apresentam a ela.
Então por que é tão difícil dizer não?
Porque muitas vezes o problema não está na criança. Está nos adultos. “Deixa ele comer.” “É só um pedacinho.” “Eu comia quando era criança e estou aqui.” “Você está sendo muito rígido.” “Coitada da criança.” Essas frases parecem pequenas, mas colocam os pais em uma situação difícil. Principalmente quando vêm de avós, tios, amigos ou outras pessoas próximas. E é nesse momento que os pais precisam lembrar de uma coisa:
Quem vai cuidar, educar, estabelecer hábitos e assumir a responsabilidade pela saúde daquela criança são os pais — não quem ofereceu o doce.
Mas cuidado!
Não é preciso transformar comida em uma guerra. Nem significa que uma criança que comeu um doce terá algum problema. A questão é não criar desde cedo uma rotina baseada em açúcar e ultraprocessados.
Se você decidiu evitar açúcar nos primeiros anos, mantenha sua decisão. Não porque você quer privar seu filho de felicidade. Mas justamente porque está tentando oferecer a ele algo muito mais importante do que um doce: A oportunidade de desenvolver bons hábitos antes mesmo de sentir falta dos maus.
E quando alguém disser:
“Deixa, é só um pedacinho…”
Você pode simplesmente responder:
“Ele ainda não conhece. E, por enquanto, preferimos que continue assim.”
Às vezes, ser o “vilão” para os outros é justamente fazer o melhor para quem depende de você.